A minha banda sonora


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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O antes, o agora e o depois

Ao vaguear pelo meu antigo blog, deparei-me com a mudança que ocorreu em mim. O que eu escrevia e a forma como eu me via não é a mesma de agora. Certo será que isso faz parte do crescimento de qualquer pessoa.
Era uma declarada amante da música, do sorriso, da agitação, dos ideais que mudariam o mundo. Muito se desvaneceu com o tempo, nas entrelinhas da história que fui escrevendo com a minha vida. Não sei se sinta orgulho pelo que alcancei ou se sinta desprezo pelo mesmo, e anseio e tristeza por tudo aquilo que ainda não vislumbrei, nem sei se vislumbrarei.
A vida tem-me reservado mais surpresas do que eu poderia supor, certamente terá muitas mais ao longo do caminho. Na realidade nem todas as surpresas foram assim tão favoráveis à minha alegria. Hipotecas de alguns desejos. Contudo, a nível profissional estou muito bem, é verdade. Alcancei objectivos que persegui durante anos, com muito esforço e dedicação. E a música continua viva :) recentemente armada em compositora... medo.
Abdiquei de muita coisa. Talvez tenha abdicado de uma 'coisa' que não devia, de uma vivência que não deveria ter abandonado assim. Tudo pode acontecer na vida, mas os sentimentos não se abandonam. Na verdade, Sinatra canta "I'll be around no matter what". Os humanos têm a capacidade de tentar ultrapassar o antigo com o novo, mas nem tudo é substituível e ainda bem.
Há quatro anos atrás, eu escrevia 'Regressar a casa é do melhor que há. Quem deixamos para trás deixam saudades mas a esperança de os voltar a ver alimenta o bem-estar. As distâncias não são tudo.'
Continuo a concordar numa coisa: as distâncias não são tudo. Porque se fossem, seria impossível que duas pessoas tão fisicamente afastadas conseguissem manter uma relação tão forte de confiança, de respeito, de um profundo conhecimento e entendimento uma da outra. Seria impossível que correspondessem ao primeiro pensamento da manhã e ao último da noite.
Seria impossível que conseguissem ler tão bem até o silêncio da outra. Talvez nunca tenhamos asas para voar mais longe. Talvez o caminho fosse mesmo única e simplesmente assim, desta forma inacabada e acabada em simultâneo. Desígnios que não entendemos, que nos acompanharam neste crescimento, que nos trouxeram até aqui, que fazem o nosso presente continuamente cúmplice de 'nós'.
E agora? Que fazer com o futuro? Quando acordar, logo se verá. Por enquanto, quero continuar a sonhar com a menina da música que sonhava prestar ajuda médica, estudar música toda a vida, amar e ser amada, que deixou de ter medo do escuro e aprendeu a confiar e a ler o silêncio com uma medalha e um olhar.

Um comentário:

Anônimo disse...

msn de vez enquando.... ajuda,
espero por ti...
sei que pode nao ser hoje ou amanha,
mas eu aqui ficarei, pra sempre sentado, no mesmo banco de jardim a ver a magnifica paisagem!
banco do qual, receio nunca me ter levantado...
banco das minhas lagrimas, da minha vida.